Artigo escrito por Rodrigo Cesar, Mentor | SeguroDeEventos.com

O fortalecimento do Brasil como palco para realização de grandes eventos mundiais tem aquecido o mercado de seguros para eventos nacional e internacional, mas a contratação de seguros ainda é baixa se comparada à crescente demanda.

A corretora Mentor Seguros estima que, por mês, são realizados entre 35 e 50 mil eventos no país, mas, em média, apenas 20% deles são segurados.

O levantamento da corretora mostra também que a maior contratação de seguros é feita para a realização de shows e eventos esportivos – cerca de 25% desses eventos são segurados.

Feiras, congressos e seminários têm 20% de suas realizações protegidas – mesmo percentual de contratação de seguro para ações de live marketing. Espetáculos teatrais, circos, palestras e treinamentos contratam seguro em apenas 10% dos casos.

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Nos próximos anos a disseminação do seguro de eventos deve crescer, principalmente, entre hotéis e resorts em todo o Brasil, que recebem muitos eventos de pequeno porte em um curto espaço de tempo. A contratação da proteção, porém, é maior entre as empresas que realizam grandes eventos, com exposição e investimentos maiores.

Para reverter o cenário de baixa penetração é necessário tornar obrigatória a contratação do seguro de eventos. Certamente temos um volume de comercialização abaixo da demanda atual. A contratação do seguro sendo obrigatória e necessária para a liberação dos alvarás das prefeituras e do Corpo de Bombeiros daria mais fôlego às operações, contribuindo para expandir a cultura de seguros no País. Hoje, países como os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Espanha e Itália já são líderes na disseminação de proteções para eventos.

O seguro de eventos é hoje considerado como uma das ferramentas de responsabilidade social, prevenção de riscos e prejuízos financeiros mais eficientes, voltada para organizadores de eventos, produtoras, agências de marketing e publicidade, fornecedores de serviços para eventos, expositores, cerimonialistas, entre outros.

Entre as coberturas, as mais contratadas são as de responsabilidade civil, instalação, montagem e desmontagem, estruturas temporárias e palcos, cancelamentos, no-show e equipamentos.

O valor da apólice varia entre 1 e 3%, em média, em relação ao valor total estimado para a produção do evento. Esse número é muito baixo perto da tranquilidade de realizar um evento com segurança. Por exemplo, após a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, região Sul do Brasil, pouca coisa mudou na prática. Não vemos a mentalidade dos proprietários de espaços, os organizadores e fornecedores mudar sem que haja uma legislação e fiscalização mais efetiva. A obrigatoriedade da contratação ajudaria no amadurecimento cultural do segmento de eventos.

Entre os principais sinistros que ocorrem na realização de eventos, danos materiais a terceiros, o não comparecimento de artistas aos shows, cancelamentos ou até o adiamento do evento são os mais comuns, principalmente por condições adversas do tempo, fato bem normal hoje em dia com uma série de eventos naturais, ou até mesmo de greves, como a que estamos vivenciando no momento.

Vistoria de seguros para eventos ainda é secundária em 95% dos casos

Feitas para identificar os principais riscos aos quais os locais estão sujeitos, as vistorias ainda são vistas como secundárias pelo próprio setor de seguros. Na prática, poucos eventos e locais são visitados pelas seguradoras antes do fechamento da apólice e ocorrem apenas em eventos de grande porte e quando solicitadas pelos próprios segurados. As seguradoras, no entanto, incluem nas condições gerais dos contratos dos produtos uma série de exigências em relação à proteção, prevenção de riscos, segurança e engenharia, e que naturalmente geram um padrão de qualidade.

Rodrigo Cesar é Mentor | SeguroDeEventos.com e foi convidado para escrever para o blog da Eventbrite Brasil.