Definitivamente o Brasil já entrou na rota de festivais que escalam grandes nomes da música nacional e internacional. Esses eventos unem uma legião de pessoas que, com um vasto e diversificado line-up, se mobilizam para assistir sua banda preferida e também têm a oportunidade de conhecer novos sons.

E não é só isso! De alguns anos pra cá muita gente vai a festivais de música pela experiência de participar daquele momento junto dos amigos e encontrar pessoas conhecidas com os mesmos gostos musicais. Muitas pessoas ainda usam as redes sociais, postando fotos em shows com hashtags específicas pela necessidade de pertencimento e popularidade.

Exemplo prático desse sucesso é que já existem festivais que divulgam data, local e venda de ingressos sem anunciar previamente a lista de artistas. Logo, o espectador que já é frequentador e aprovou a experiência dos anos anteriores, compra os tickets antes mesmo de saber quem irá se apresentar.

No exterior, principalmente nos Estados Unidos, já existem festivais de sucesso que mobilizam milhares de pessoas de todas as partes do mundo, só pra citar alguns deles: Tomorrowland (Bélgica), Burning Man (Nevada, EUA), Coachella Fest (Califórnia, EUA), Lollapalooza e Pitchfork Music Festival (Chicago, EUA), South by Southwest e Austin City Limits (Texas, EUA), Festival de Jazz de Montreux (Suíça), Primavera Sound e Sónar (Espanha), Glastonbury Festival (Inglaterra) e Milkshake Festival (Holanda).

Organizadores de grandes festivais devem ter sempre em mente que o consumidor não compra apenas o ingresso para ver os shows, mas também espera que a estrutura seja eficiente e que atenda suas necessidades. Isso engloba aspectos como transporte, alimentação, banheiros e segurança. Mas será que os festivais brasileiros conseguem passar uma boa impressão de tudo isso?

Pensando na popularização destes festivais no Brasil, podemos analisar alguns pontos importantes – planejamento, execução e, principalmente, a experiência do público participante – que podem melhorar se comparados aos grandes eventos internacionais.

Escolha dos line-ups em festivais de música

Hoje a escolha dos artistas é muito mais ampla do que anos atrás, em que eram escaladas mais bandas com identidade rock’n’roll e que já tinham um público cativo desse tipo de música. Os tempos mudaram, mas a polêmica segue.

A outra razão é o apelo comercial – e a palavra de ordem, aqui, é business. Um line-up mais diversificado e que abrace tendências musicais como hip-hop, pop e música eletrônica é a mistura de públicos e a diversidade de apresentações, o que só enriquece a cultura da música (e o bolso dos organizadores).

Leia mais: Como organizar um festival: dicas e estratégias para você começar hoje

O transporte público funciona?

Em dias de festival, a tendência é o transporte público lote mais do que em dias normais.

O mais viável seria criar esquemas especiais de transporte para esses dias que facilitassem a locomoção, como vans ou uma parceria com aplicativos de táxi. Oferecer bilhetes de metrô em festivais que têm fácil acesso  por este tipo de transporte também é uma ótima maneira de conversar com seu público e facilitar o trajeto.

Já a área onde é realizado o Rock in Rio Lisboa, por exemplo, fica bem próxima do aeroporto, o que ajuda na logística de muitos turistas. Para os dias de festival, os trens e ônibus de Portugal organizam a rota dos transportes para facilitar a chegada até Lisboa, com direito a uma linha especial que funciona de madrugada e desconto de 30% no bilhete para ida e volta.

Qualidade e variedade de alimentação em festivais de música

Com relação à alimentação, é preciso investir em um cardápio para tentar agradar todas as pessoas, pois a maioria dos festivais não permitem a entrada de alimentos. Por isso, deve-se pensar em opções para todos os bolsos, saudáveis, leves e que respeitem possíveis alergias  – ou a decisão de vegetarianos, que se abstém de carne.

O ideal em todos os festivais nacionais seria a distribuição de água em bebedouros, como acontece em outros festivais gringos. É uma forma de agradar o público e evitar que as pessoas fiquem desidratadas.

Ainda, usando como exemplo o Coachella, há uma área bem grande dedicada à alimentação com barracas exclusivas de saladas e comidas sem glúten. Além de criar uma boa experiência com as pessoas a partir de ideias simples, o festival mostra interesse de conexão com vários tipos de público.

Limpeza e banheiros em festivais de música: o que melhorar?

A limpeza é algo que não depende só do serviço prestado pelo festival, mas também do comportamento do público. É importante que haja um número suficiente de lixeiras espalhadas pelo espaço com separação de lixo reciclável. Quanto mais lixeiras visíveis, menos pessoas irão jogar o lixo no chão.

Quanto aos banheiros químicos é certo que quanto mais, melhor. Quem nunca se deparou com aquela fila gigante na porta dos banheiros, gente cortando fila, cheiro desagradável e muita sujeira em volta da área? Esse é um dos grandes problemas dos grandes festivais brasileiros porque, além de poucos banheiros, não há água para lavar as mãos.

A criatividade usada na área de banheiros do Glastonbury Festival é conhecida no mundo inteiro, porque há uma variedade deles – e são limpos pelo menos uma vez ao dia. Os organizadores se preocuparam em criar um ambiente totalmente ecológico e alertam para os perigos da urina, que pode matar animais e poluir as fazendas ao redor. Em todos os banheiros há instalações para lavar as mãos ou produtos higienizadores. Ainda há um local específico para o descarte do papel higiênico e banheiros para cadeirantes e pessoas com alguma dificuldade de locomoção.

Segurança efetiva em festivais de música

Lugares que concentram muitas pessoas ao mesmo tempo precisam de um bom esquema de segurança, já que o público geralmente está distraído durante os shows, conversando com amigos ou usando smartphones.

Aqui no Brasil há casos de pessoas que vão a festivais apenas para cometer pequenos furtos de objetos, o que já é suficiente para um alerta constante por parte das autoridades. Se está previsto e – de fato – acontece todos os anos, com segurança efetiva a porcentagem de furtos só tendem a diminuir.

É compreensível que em outros países haja maior preocupação com segurança por conta de atentados recentes. O festival de música eletrônica Tomorrowland, por exemplo, já é conhecido pelo forte esquema de segurança e raramente são registrados furtos e crimes porque a segurança é realmente uma preocupação dos organizadores.

No caso do Coachella, os planos de segurança começam com um ano de antecedência e as autoridades se encontram logo após o festival, repassando tudo que deu certo ou errado e o que pode ser melhorado nas próximas edições.