R$50 – R$300

XV Encontro Nacional da ABET – Associação Brasileira de Estudos do Trabalh...

Informações do evento

Compartilhar este evento

Data e hora

Localização

Localização

Hotel Novo Mundo

Praia do Flamengo, 20

Flamengo

Rio de Janeiro, RJ 20051070

Brazil

Ver mapa

Amigos que vão participar
Descrição do evento

Descrição

Seguindo uma tradição de mais de duas décadas, a ABET promove encontros nacionais bienais que têm contribuído com o estímulo e intercâmbio da produção científica destinada a discutir questões relacionadas às transformações por que passa o mundo do trabalho na atualidade. Além do enfrentamento do debate acerca do mundo do trabalho, das organizações dos trabalhadores, seus desafios e dilemas, da defesa e ampliação de direitos trabalhistas, têm resultado desses encontros proposições que visam subsidiar políticas públicas de trabalho, emprego e geração de renda. O próximo encontro nacional, que acontecerá de 06 a 09 de setembro elegeu o tema

“Trabalho, crise e desigualdade: caminhos e descaminhos da sociedade contemporânea”.

Esse tema se justifica por diversas razões. As crises podem ser pensadas como manifestações agudas de processos de transformação de mais longo alcance. Por isso, pedem análises que procurem romper com as visões unilaterais, unidimensionais ou deterministas. Nas últimas décadas do Século XX, nos anos 1980 e 1990, as transformações políticas, econômicas, tecnológicas, que rebatem diretamente no mundo do trabalho, direcionaram as pesquisas para o fenômeno da reestruturação produtiva e seus reflexos no trabalho, mercado, emprego, renda e em diferentes e complexas configurações produtivas, refletindo-se diretamente nas organizações dos trabalhadores e em seus cotidianos de trabalho.

Nesse contexto, e vinculado ao movimento do capital que se internacionalizou, somaram-se condições de um desenvolvimento heterogêneo e dependente de recursos externos, no caso brasileiro. Especialmente a partir dos anos 1990, a marca da economia nacional passou a ser a abertura ao comércio exterior, a atração aos investimentos e políticas de ajuste às exigências macroeconômicas da acumulação mundial, prescritas pelas agências multilaterais. Posteriormente, desde meados dos anos 2000, as crises se alastraram provocado profundas transformações na dinâmica produtiva global, com severas consequências sobre os sistemas nacionais de produção e sobre as formas de organização do trabalho. Sob um panorama já reconfigurado pela globalização financeira e comercial, o cenário de acirramento da concorrência internacional pós-2008 induziu os vários segmentos do capital a redesenharem suas cadeias globais de valor, pressionando os mercados de trabalho nacionais a se adequarem à disciplina dessa nova dinâmica de acumulação.

Tanto no plano internacional quanto no nacional, embora não simultaneamente, ocorreram processos de reestruturação econômica e reajustamentos político e social, afetando as relações de produção e de trabalho. As empresas, cada vez mais, recorreram a novas combinações entre os investimentos internacionais, o comércio e a cooperação internacional entre as empresas coligadas, para assegurar a sua expansão internacional e racionalizar as suas operações, demandando a flexibilização das relações de trabalho, respaldadas por grupos e governos locais.

Entre as consequências das crises estão alterações no mercado de trabalho, no emprego, na renda e nas condições de trabalho, que acabam impactando a estrutura social como um todo. Refletir sobre, e analisar essas questões, relacioná-las com as novas formas da organização da produção, cada vez mais globalizadas e competitivas, capturar a miríade de adaptações particulares dos sistemas de relações de trabalho nacionais e globais, tudo isso é de fundamental importância para a compreensão dos caminhos e descaminhos que tomam as sociedades locais e globais neste terceiro milênio.

Nesse cenário, que denota a inserção dependente dos países periféricos e/ou emergentes na globalização capitalista dominada pelas finanças, o debate sobre as crises econômicas e suas repercussões no trabalho e na estrutura social se conecta diretamente com o tema da das desigualdades sociais que, como mostrou Pickety (2014), vêm crescendo no mundo contemporâneo. Enquanto o 1% mais rico do mundo detinha 10% da riqueza em 1970, em 2013 a fatia abocanhada pelos mais ricos dobrou, chegando a 20%. O aprofundamento da desigualdade social está estritamente relacionado com a financeirização da acumulação capitalista, com os modelos produtivos e distributivos adotados pelos países, com os processos de regulamentação e proteção do trabalho e dos mercados de trabalho.

Compreender as interconexões entre dinâmicas econômicas, sociais, culturais, populacionais, territoriais, organizacionais e políticas, em âmbito local e internacional, requer abordagens interdisciplinares e complexas, e é esse o espaço de discussão que a ABET pretende abrir aos estudiosos do mundo do trabalho em seu XV Encontro Nacional.

As ações da ABET e a condução do XV Encontro Nacional 2017 apontam para um grande fórum de debate sobre as relações e condições de trabalho, emprego e desemprego, regulamentações das relações de trabalho, organizações coletivas e sua influência no ambiente da produção, questões regionais, políticas públicas de proteção social e do trabalho, políticas econômicas de geração de postos de trabalho, políticas educacionais e de qualificação do trabalhador, políticas e programas de segurança do trabalho, relações entre trabalho, Estado e desenvolvimento, organização das formas de produção. Expressam esta preocupação, também, as temáticas selecionadas de mesas redondas, fóruns e as muitas ementas dos GTs programados: Desenvolvimento, territórios e trabalho; Regulação, políticas e instituições públicas do trabalho; Trabalho, desigualdade e pobreza; Reconfigurações do trabalho; Sindicalismo e ação coletiva dos trabalhadores; Relações de gênero, raciais e geracionais no trabalho; Trabalho análogo ao escravo: conceitos, manifestações e desafios na sociedade contemporânea; Trabalho e Educação; Condições de trabalho e saúde; Cultura, identidade e subjetividade nos mundos do trabalho; Emprego, estrutura ocupacional e rendimentos; Trabalho e Economia Solidária; Dinâmicas demográficas e trabalho; Tecnologia, gestão e processos de trabalho; História social do trabalho.

Nas últimas décadas do Século XX, nos anos 1980 e 1990, as transformações políticas, econômicas, tecnológicas, que rebatem diretamente no mundo do trabalho, direcionaram as pesquisas para o fenômeno da reestruturação produtiva e seus reflexos no trabalho, mercado, emprego, renda e em diferentes e complexas configurações produtivas, refletindo-se diretamente nas organizações dos trabalhadores e em seus cotidianos de trabalho.

Um novo contexto se estabeleceu a partir do início dos anos 2000 e, com ele, novos desafios se apresentaram aos estudos do trabalho. Com a retomada do crescimento econômico, o incremento das políticas sociais, o fortalecimento das negociações coletivas e a melhoria nos indicadores de emprego e renda, ao mesmo tempo em que, de um lado, não foram realizadas transformações de caráter mais estrutural no combate às desigualdades e discriminações que marcam o padrão de relações de trabalho no país e, de outro, medidas de flexibilização continuaram sendo implementadas, ganharam maior evidência temáticas como trabalho e desenvolvimento, políticas públicas de trabalho, emprego e renda, novo momento da negociação coletiva, Direito do Trabalho, novas tendências e configurações sindicais, entre outros. Em todos esses contextos, questões tidas como “transversais” seguiram marcando as abordagens sobre as condições de trabalho e as formas de organização e luta dos trabalhadores, com destaque para gênero e etnia/raça. De outra parte, a questão da interdisciplinaridade/multidisciplinaridade se impôs como uma necessidade estratégica, seja para os estudos do trabalho em geral, seja para a ABET em particular, a qual nesse mesmo período vem se afirmando cada vez mais como espaço de articulação das diversas tradições de estudos devotadas ao tema do trabalho no país.

No que diz respeito ao momento atual, o Brasil tem sido palco nos últimos dois anos de um processo agudo de crise política e de crise econômica que estão desembocando em um ataque sistemático aos direitos dos trabalhadores garantidos pela Consolidação das Leis do Trabalho, pela Constituição de 1988 e pelas políticas sociais implementadas pelos governos de Lula da Silva e Dilma Rousseff. Processos semelhantes também vêm acontecendo em outros países da América Latina, implicando em reformas econômicas, políticas e sociais regressivas do ponto de vista dos direitos dos trabalhadores estão em curso. Ademais, cresce a presença, nos principais países do centro do capitalismo, de grupos de extrema direita voltados, principalmente, contra imigrantes; e recrudescem as políticas neoliberais. Quais são os impactos dessa conjuntura sobre os trabalhadores brasileiros? Como ela afeta a relação entre eles e suas lutas por direitos, pela defesa de uma relação menos ou não predatória com o meio ambiente? Como se organizam homens e mulheres, negros e negras, a comunidade LGBT na sua vida laborativa? Que impactos essa conjuntura traz especificamente sobre os locais de trabalho e as relações produtivas e hierárquicas que nele se estabelecem? As metamorfoses do modelo de desenvolvimento que o Brasil vem adotando, tendo em vista os grandes desafios da crise mundial e nossa posição de país emergente na divisão mundial do trabalho, serão objetos de análise multidisciplinar nos diferentes Grupos de trabalho, mesas redondas e conferências que ocorrerão no XV Encontro Nacional da ABET. O encontro de 2017 busca, assim como os outros que o precederam, um debate inter e multidisciplinar, articulando as investigações das diversas áreas de pesquisa cuja temática se relacione ao trabalho na sociedade contemporânea.


5. Público alvo

O público alvo dos Encontros Nacionais da ABET é constituído de profissionais que atuam em áreas vinculadas à temática do Trabalho. Tendo em vista o caráter multidisciplinar da ABET, os professores, pesquisadores, profissionais liberais e servidores públicos, além de especialistas, bolsistas e alunos de graduação e de pós-graduação são provenientes das mais diferentes áreas, tais como Sociologia, Economia, Administração, Direito, Geografia, História, Engenharia, Educação, Psicologia, Saúde do Trabalhador, dentre outras.

– Público estimado: 1500 participantes – Amplitude geográfica do evento: Nacional com convidados estrangeiros


Compartilhar com amigos

Data e hora

Localização

Hotel Novo Mundo

Praia do Flamengo, 20

Flamengo

Rio de Janeiro, RJ 20051070

Brazil

Ver mapa

Salvar este evento

Evento salvo